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3 Brilhantes Mensagens da Ecopsicologia (Com Exercício de Conexão com a Natureza)

(por Isa Gama)

Ecopsicologia: Conexão com a natureza de dentro e de fora para uma vida e um mundo melhor!

 

Estou concluindo o meu curso Master em Ecopsicologia na Itália, que comecei em fevereiro de 2013, após um período um pouco turbulento emotivamente, decorrente da maternidade que me fez repensar quem eu era e o que eu realmente queria para a minha vida. Para mim, tanto o período turbulento como o curso foram fundamentais, pois permitiram me redescobrir e dar um sentido mais elevado à minha vida. A Ecopsicologia iluminou o meu caminho me dando preciosas noções para desvendar a minha autêntica aspiração, que hoje acredito ser a de compartilhar com outras pessoas percursos de crescimento pessoal através da própria Ecopsicologia.

Estou muito satisfeita com o percurso que fiz e que levo pra minha vida, aplicando-o no meu dia-a-dia, e começando minha nova identidade profissional como Ecotuner (nome do profissional que faz o Master em Ecopsicologia) e professora de Ecopsicologia e crescimento pessoal.

Por isso resolvi compartilhar 3 mensagens brilhantes da Ecopsicologia, que refletem como é importante fazer um percurso de crescimento interior, se conectar com a natureza e o mundo ao nosso redor com a certeza de que não estamos sós. Tudo isso para criar, ou melhor, co-criar – pois reconhecemos a nossa “cidadania terrestre” – o mundo como o queremos.

A partir dessas conexões profundas nos damos conta do nosso poder interior de influenciar a nossa própria vida e o nosso contexto. Por isso, a Ecopsicologia nos faz o grande favor de nos lembrar quem somos realmente, ou seja, que somos pessoas que fazem parte de algo muito maior – o planeta Terra, e que cada um de nós tem a capacidade de contribuir com um talento pessoal e único, que se trata do nosso poder pessoal, e da força da união de pessoas intencionadas a melhorar a própria vida e a vida do planeta Terra. Assim nos lembramos que somos importantes e nos sentimos parte!

No final do post passo um exercício simples para abrir as portas da percepção da nossa relação com a natureza.

Aí seguem as 3 mensagens brilhantes (adoro a palavra “brilhante” porque me lembra “magia”! E a Ecopsicologia me ajudou a entender que um dos meus propósitos na vida é criar MAGIA!)

 

1) Conexão com a Natureza de Dentro – Centering

A Ecopsicologia parte do pressuposto que o contato direto com o ambiente natural estimula a relação com as partes menos conhecidas e mais vitais de nós mesmos. Esses elementos são indispensáveis para a completa realização pessoal. O nosso bem-estar individual e social, a nossa sobrevivência, são profundamente ligados ao ambiente.

A relação do homem com a natureza sempre foi muito íntima e essencial desde os primórdios. Mas na sociedade ultra civilizada esta ligação se reduziu muito e os indivíduos tendem a se sentir sempre mais sozinhos, sem um sentimento de pertencimento à uma terra, à uma comunidade, um sentimento de vulnerabilidade e de desolação, sobretudo em momentos de crise econômica, política e social. Praticamente perdemos o nosso senso de pertencimento ao mundo e a sapiência de sermos parte integrante do todo.

Por isso uma das contribuições da Ecopsicologia é incentivar as pessoas a se fazerem perguntas mais profundas na busca pelo auto-conhecimento e auto-aceitação (Centering). Por exemplo, descobrir de verdade quem somos. Porque com certeza, cada um de nós foi criado neste mundo para dar uma contribuição específica. É como se cada um de nós fosse uma nota insubstituível de uma sinfonia, pois cada um tem uma unicidade, uma especificidade que é fundamental para criar, ou co-criar uma vida melhor.

A Ecopsicologia convida as pessoas a encontrar qual é esta unicidade. O caminho é indicado por um percurso de desenvolvimento pessoal, que no fundo guia cada um a seguir o que mais tem satisfação de realizar na vida. É uma busca dentro de si pela certeza de estar se realizando como pessoa e ao mesmo tempo contribuindo com a humanidade e com a própria vida na terra. Quando uma pessoa passa a se conhecer mais a fundo, ela encontra mais facilmente a sua autenticidade, se “empodera”, e concebe um propósito maior de vida ao qual se dedicar com amor a si mesmo e ao mundo ao seu redor.

Essa frase de Spinoza resume a importância do contato com a natureza interior: «Ser aquilo que somos, e vir-a-ser o que somos capazes de ser, são os únicos objetivos da vida»

 

2) Conexão com a Natureza de Fora – Tuning

A famosa frase bíblica: “Ama o teu Próximo como a Ti Mesmo” é um bom ponto de partida para refletirmos sobre o nosso mundo de hoje: temos muito pouco amor pelo próximo, sobretudo porque temos muito pouco amor por nós mesmos. Por isso, o crescimento pessoal possibilita uma conexão profunda e sincera consigo mesmo para propiciar, por sua vez, uma conexão sincera e de amor pelo próximo.

Na visão da Ecopsicologia, esse “próximo” pode ser alargado para toda a existência ao nosso redor, não somente outras pessoas, mas também animais, plantas, elementos naturais como a água, e o meio ambiente como um todo. Ou seja, ao me amar e me respeitar, posso também amar e respeitar o meu mundo (Tuning, ou seja, entrar em sintonia com), pois assim ficamos cada vez mais conscientes de que cultivar relações de qualidade com o próximo é benéfico também pra nós mesmos. Assim criamos uma comunicação respeitosa e recíproca com o nosso mundo.

A Ecopsicologia se propõe como uma via de facilitação à essa reconexão com o mundo exterior, propondo vivências e dinâmicas na natureza que despertam nossas percepções sensoriais, promovendo a observação das emoções, a atenção aos detalhes, a capacidade de se maravilhar, a curiosidade e empatia em relação à diversidade. Ao despertar nossos sentidos, cultivamos nossa capacidade de sentir, cheirar, degustar, observar, e sobretudo se maravilhar. Com esses exercícios, nos tornamos mais propensos a perceber e apreciar as tonalidades diferentes de cores, sons, mensagens sutis que a natureza nos proporciona. Isso nos faz ver a diversidade, seja ela ambiental, individual, ou cultural, como uma ocasião de maravilha, com entusiasmo, e não com medo ou temor.

 

 
3) Co-criação – Widening

Tente imaginar o planeta Terra como um organismo vivente, como se fosse o nosso corpo. Agora imagine que cada espécie deste organismo Terra é como se fosse um órgão de nosso corpo. Qual órgão da Terra você acha que a espécie humana pode representar? O autor do livro “Teoria de Gaia”, James Lovelock, fez a hipótese em modo metafórico, de que nós, seres humanos, poderíamos representar o sistema nervoso do organismo Terra (esta idéia depois também foi discutida por outros autores como o psicologo Peter Russel e o astrofísico Brian Swimme).

Você pode concordar ou não com essa interessante metáfora, mas o mais importante é entender um ponto fundamental para refletir: que também somos responsáveis pela vida do planeta, somos uma parte desse organismo Terra. Um conceito fundamental para entender isso é o de “cidadania terrestre”, ou seja, a Terra é como a nossa casa, e devemos nos comportar “civilizadamente” com ela, contribuindo para seu bom funcionamento. Esse conceito foi discutido pela primeira vez por Edgar Morin no livro “Terra Pátria”, mas outros autores contemporâneos o definem usando diversos termos, como a “consciência planetária” de Leonardo Boff; Jeremy Rifkin fala em “consciência Biosférica”; Thomas Berry usa o termo “era ou consciência Ecozoica”; Fritjov Capra fala do “ponto de mutação”; Joanna Macy fala de “the turning point” se referindo ao momento que vivemos de grande mudanças (“the great shift”).

Todos esses autores citam esse momento que vivemos como um momento importante para um salto de consciência que é fundamental para a sobrevivência da espécie. Essa idéia se contrapõe à idéia de crescimento/desenvolvimento econômico infinito, que é o modo no qual o nosso sistema econômico funciona hoje. Por isso é urgente que essa nova consciência se difunda entre nós para que possamos criar um planeta mais saudável.

Captura de Tela 2014-11-27 às 11.52.12A Ecopsicologia promove uma visão de mundo “Ecocêntrica” ao invés de “Egocêntrica”. Essa visão (representada pela a imagem “Eco” da figura ao lado), também chamada “sistêmica”, vê o mundo como um todo no qual todas as partes são importantes e fundamentais para manter o equilíbrio e a saúde do planeta. Essa visão reconhece que estamos na Terra e somos criaturas como todas as outras que existem, ou seja, não somos mais evoluídos que ninguém, e somente juntos com tudo o que existe podemos criar os pressupostos para um futuro possível.

Na passagem à essa visão “Ecocêntrica”, os seres humanos passam a ser vistos como parte integrante do sistema, então colocados no mesmo nível de tudo que existe. Mas ao invés de fazer o indivíduo se sentir “menos” que as outras espécies, na verdade retoma a idéia de “fazer parte”, de cooperação entre as espécies, nos colocando como uma das espécies de animais existentes. Nessa perspectiva, ao invés de uma idéia exclusivamente competitiva entre as espécies, se focaliza na idéia de cooperação, na qual a soma das partes é maior que o todo, ou seja, se eu coopero e ajudo o mundo e à mim mesmo a estar bem, então criaremos um mundo melhor (uma interação win-win).

É fundamental reconhecer que a evolução e saúde do nosso planeta dependem também de nós. Por isso se fala em co-criação, ou seja, a consciência de que somos responsáveis por nossa evolução junto com a Terra. A Ecopsicologia entra em jogo pois ajuda a reencontrar a irmandade e a fraternidade com todas as criaturas e a reencontrar o sentimento de co-participação com o resto da criação (Widening). Também estimula o sentimento de pertencimento a essa comunidade terrestre e promove um empenho ativo em relação à própria comunidade, à própria vida. É um conhecimento de si voltado para sermos ativos e nos sentirmos úteis e valorizados no âmbito de nossas comunidades, e também do planeta.

 

Exercício Simples para se Conectar com a Natureza (inspirado nos cursos de Marcella Danon)

  1. Procure um lugar aonde você se sinta em contato com a natureza e à vontade. Pode ser um quintal, um parque, um bosque, na praia, montanha, etc.
  2. Antes de entrar no lugar, em sinal de respeito e admiração, peça “permissão” para entrar
  3. Ao sentir que sua permissão foi acolhida, se coloque em um lugar gostoso onde você se sinta confortável e tranquilo
  4. Pare e observe a paisagem como se você estivesse observando o rosto de uma pessoa amada, notando a continuidade entre os diversos ambientes e a unidade do todo que chamamos “natureza”, ou “mundo”
  5. Por alguns instantes fique em silêncio e ligue suas antenas sensoriais. Use todos os seus 6 sentidos para colher o máximo de detalhes: sinta os odores, o vento, o sol, a umidade, a temperatura, o seu contato com o chão, as cores, as texturas do toque, perceba possíveis mensagens sutis, rumores, etc.
  6. Faça um respiro profundo e agradeça por essa interação

Essa é uma simples – mas muito potente – ginástica para a mente que dá mais elasticidade à percepção que temos da realidade, nos permitindo ir além dos nossos esquemas mentais já conhecidos. Também nos exercita a viver no agora.

 

Valeu!
Amor em você!

 

 

Referências
Marco Aurélio Bilibio, De Frente para o Espelho: Ecopsicologia e Sustentabilidade (tese de Doutorado, Universidade de Brasília, 2013)
Marcella Danon,  Ecopsicologia – Crescita Personale e Coscienza Ambientale (2006)

 

 

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27 nov, 2014

Bem Estar,  Ecopsicologia

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